As duas Faces do Estresse

Vilão ou mocinho? Acredite, sentir-se estressado é uma reação natural do organismo humano.

Duas Faces do Stress

Segundo explica o neurologista Antonio Cesar Galvão, do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de julho, de são Paulo, a reação de estresse é algo essencial á vida, ou seja, precisa existir para o corpo se posicionar de maneira adequada ás emergências do dia a dia. Sendo assim, poderíamos considerá-lo como algo benéfico. “É uma maneira de permanecer vivo, se preservar a reagir ás agressões do meio em que se vive”, define Galvão. Mas o fato é: o estresse pode se tornar patológico quando acionado por sentimentos como ansiedade, angústia ou depressão. Nesse momento, ocorre uma resposta á exposição a ambiente negativos ou as mudanças bruscas no estilo de vida da pessoa. “Dessa forma, estar estressado exageradamente pode prejudicar os mecanismos de defesa neuroquímicos e imunológicos, aumentado as chances de surgirem doenças, especialmente cardiovasculares – como infarto e hipertensão”, comenta Galvão.

No centro do estresse                                                                                                  

Podemos defini-lo, precisamente, como a soma de resposta físicas e mentais que um ser vivo qualquer – homem ou animal – apresenta frente a um estímulo externo ambiental – os estressores. É uma reação do corpo a quaisquer exigências e que permite ao ser vivo superar e se adaptar a elas. Agora, de maneira menos científica, como descreve o neurologista, é o  desgaste físico, emocional e mental causado por esse processo. Ele explica que, na verdade, o termo correto para falar sobre esse estado seria “distresse” ou esgotamento, mas a palavra caiu em desuso e usa-se o termo estresse para os dois.

Desencadeadores

Por mais que o estresse seja considerado uma reação intrínseca ao organismo do indivíduo, quando manifestado de maneira não natural e descontrolada, tem como estímulo alguns fatores que podemos dividir em:

  • acontecimentos biográficos críticos: Fatos que exijam uma restauração ou mudança profunda na vida de alguém. Eles podem se positivos ou negativos, mas favorecem reações emocionais de longa duração, como a perda de um filho, um casamento, etc;
  • estressores traumáticos: Acontecimentos traumáticos que ultrapassem a capacidade de adaptação, como abuso sexual ou bullying;
  • estressores cotidianos: Desgastes do dia a dia do indivíduo, mas que causam algum tipo de frustação pessoal. Podemos citar problemas com peso ou aparência corporal;
  • estressores crônicos: São situações que se estendem por um longo período e resultam em desgaste emocional e físico, como excesso de trabalho, insônia, etc.

Resultados futuros                                                                                                                        

Mas, afinal, o que acontece com o nosso corpo depois de lidar com todos esses problemas? Galvão alerta que quadros de estresse crônico podem prejudicar profundamente o indivíduo. A reação crescente e constante aos estressores induz a hipófise a produzir mais hormônio ACTH que, ao atuar sobre as glândulas suprarrenais, aumenta excessivamente a liberação de cortisol. Essa liberação crônica e repetitiva pode ocasionar vários problemas. “Posso citar a inibição da síntese proteica, a quebra de proteínas nos músculos, ossos e tecidos linfáticos, aumento do nível de aminoácidos no sangue, excesso de produção de glicose, inibição do sistema imunológico, diabetes e o aumento do colesterol e triglicérides”, explica o neurologista. Ele acrescenta que  a imunidade também é afetada, o que favorece a possibilidade de infecções, além dos problemas causados no sistema digestivo, no aparecimento de dores crônicas ou deficiências cerebrais.

O estresse é uma maneira de permanecer vivo, se preservar e reagir ás agressões dom meio em que se vive”.

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